Boletim diário da ONU Brasil: “Em Tóquio, chefe da ONU manifesta apoio ao diálogo entre EUA, Japão e Coreia do Norte” e 21 outros.

Em Tóquio, chefe da ONU manifesta apoio ao diálogo entre EUA, Japão e Coreia do Norte

Posted: 08 Aug 2018 01:30 PM PDT

O secretário-geral da ONU, António Guterres (esquerda), e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, em coletiva de imprensa em Tóquio. Foto: ONU/Dan Powell

Em coletiva de imprensa conjunta em Tóquio nesta quarta-feira (8) com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, o secretário-geral da ONU, António Guterres, elogiou as conversas em andamento entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, assim como as renovadas iniciativas de diálogo do Japão com o país.

“Como secretário-geral das Nações Unidas, estou obviamente totalmente comprometido com a implementação de todas as resoluções relevantes do Conselho de Segurança sobre a Coreia do Norte”, disse a jornalistas, acrescentando apoiar totalmente as negociações que acontecem com “o objetivo, que todos nós compartilhamos, de ver a total desnuclearização verificável, irreversível, para garantir que a Coreia do Norte seja um membro normal da comunidade internacional em sua região”.

Em meados de junho, o presidente norte-americano Donald Trump e o líder norte-coreano Kim Jong-un realizaram uma histórica cúpula em Singapura, assinando um comunicado conjunto que incluiu um pedido para acabar com o programa de armas nucleares da Coreia do Norte. Dias após conduzir seu sexto teste nuclear, em setembro do ano passado, um míssil balístico norte-coreano voou sobre o território japonês, levando à condenação do Conselho de Segurança, que impôs sanções ao país.

Ao lado do líder japonês, Guterres manifestou seu apoio à vontade japonesa de realizar conversas com as autoridades norte-coreanas, após a oferta do primeiro-ministro japonês de realizar uma cúpula de alto nível com o país.

O chefe da ONU classificou essas intenções como oportunas, em meio à iniciativa de desarmamento das Nações Unidas, lançada em maio deste ano. A nova agenda, “Garantindo nosso futuro comum”, estabelece ousadas visões sobre um mundo livre de arsenais nucleares e outras armas mortíferas. Foca em três prioridades — armas de destruição em massa, armas convencionais e novas tecnologias de campo de batalha.

Ele declarou que “as situações na Coreia do Norte e no Irã são aspectos centrais de nossas preocupações para garantir que preservamos a não proliferação, mas também reconhecendo que a não proliferação precisa ser acompanhada de desarmamento efetivo, medidas progressivas de desarmamento na dimensão nuclear. E, ao mesmo tempo, a total implementação da proibição a armas químicas e biológicas”.

Seminário no Rio capacita profissionais de serviços veterinários do Cone Sul sobre febre aftosa

Posted: 08 Aug 2018 01:00 PM PDT

Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (PANAFTOSA) realiza até sexta-feira (10) no Rio de Janeiro (RJ) o 2º Seminário de Vigilância Baseada em Risco para a Febre Aftosa. Foto: OPAS

Com o objetivo de reforçar a capacidade dos profissionais de serviços veterinários do Cone Sul, o Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (PANAFTOSA) realiza até sexta-feira (10) no Rio de Janeiro (RJ) o 2º Seminário de Vigilância Baseada em Risco para a Febre Aftosa.

O evento é organizado em coordenação e no marco do Projeto de Cooperação Técnica do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) com o Comitê Veterinário Permanente do Cone Sul (CVP).

A iniciativa é denominada “Programa de apoio à capacitação dos serviços veterinários nos países do Cone Sul para enfrentar a última etapa do Programa Hemisférico para a Erradicação da Febre Aftosa (PHEFA)”. Faz parte de um cronograma com um total de 42 atividades de capacitação previstas no plano de trabalho.

Participam do seminário 11 técnicos dos Serviços Veterinários Oficiais de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, e José Hugo Liger, coordenador técnico do Programa BID-CVP.

No seminário, os participantes terão a oportunidade de explorar os resultados dos estudos realizados na Bolívia, dando seguimento ao primeiro seminário realizado em março, no qual se deu uma capacitação em metodologias a partir de estudos de imunidade pós-vacinação para a febre aftosa.

Também será feita uma revisão sobre técnicas de análises epidemiológicas e a aplicação de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) para analisar os resultados dos estudos realizados para a detecção da da transmissão viral, a fim de identificar fatores ou padrões que influenciam esses resultados.

O seminário tem a participação da equipe técnica da PANAFTOSA, composta por Manuel Vazquez, Lia Buzanovsky, Alexandre Santos e Alejandro Rivera.

Na fase final do PHEFA e nas zonas livres sob vacinação sistemática, a vigilância baseada em risco contribui para melhorar a capacidade de detecção de um sistema de vigilância e para uma melhor eficiência no uso dos recursos destinados a isso.

A capacitação sobre vigilância baseada em risco para a febre aftosa dos serviços veterinários oficiais do Cone Sul contribui para uma adequada caracterização dos riscos para esta doença, com vistas a identificar os locais de maior risco de persistência da infecção e para os quais devem ocorrer ações de vigilância.

Paraguai interrompe transmissão da doença de Chagas por insetos

Posted: 08 Aug 2018 12:27 PM PDT

Os barbeiros são insetos transmissores da doença de Chagas. Foto: OPAS/Ary Rogerio Silva

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) anunciou na terça-feira (7) que o Paraguai conseguiu interromper a transmissão vetorial da doença de Chagas, quando a patologia passa para uma pessoa por meio da picada do inseto barbeiro. Com a notícia, a região das Américas já conta 18 países que quebraram o ciclo de infecção por vetores em nível nacional ou em regiões com prevalência crônica da enfermidade.

Em todo o território americano, 21 nações são consideradas endêmicas para a doença de Chagas. Por ano, são registrados em média 30 mil novos casos da infecção e 14 mil mortes pela condição. Mais de 70 milhões de pessoas vivem em áreas de risco para a patologia.

A comprovação de que o Estado paraguaio suspendeu a transmissão vetorial veio na semana passada, com o término de uma missão independente ao país. Convocados pela OPAS, especialistas concluíram que o protozoário Trypanosoma cruzi, o agente causador da doença de Chagas, não era mais transmitido pelo barbeiro no departamento de Presidente Hayes, na região do Chaco. Essa era a última área onde a infecção pelo inseto ainda não havia sido interrompida.

“O fato de que o Paraguai, com as condições sociais e econômicas por que passou nesses anos, ter conseguido eliminar a principal forma de transmissão de uma doença intimamente ligada à pobreza é um verdadeiro exemplo a ser adotado por outros países que também estão essa luta”, disse o representante da OPAS no Paraguai, Luis Roberto Escoto.

O dirigente ressaltou que a nação sul-americana terá agora de manter ações de vigilância epidemiológica e entomológica, a fim de impedir o retorno desse tipo de transmissão. Para o funcionário da OPAS, autoridades devem dedicar o mesmo empenho à eliminação da transmissão vertical, de mãe para filho, da doença de Chagas.

O relatório da missão independente foi entregue a organismos de saúde do Paraguai em 3 de agosto. O documento aponta que ações sistemáticas de prevenção e controle da transmissão vetorial foram implementadas de maneira consistente durante décadas. Especialistas também afirmaram que o país demonstrou a importância da participação comunitária para o combate à doença. A avaliação elogia ainda as estratégias para prevenir a transmissão da patologia por transfusão de sangue, por meio da triagem universal dos doadores.

As Américas são a única região do planeta onde ocorre a transmissão vetorial da doença de Chagas. Uma pessoa também pode se infectar por meio de transplantes de órgãos, transfusão de sangue, durante a gravidez e o parto ou pelo consumo de alimentos contaminados.

Em 30% dos indivíduos que desenvolvem a forma crônica da infecção, são identificadas complicações mais graves de saúde, envolvendo os sistemas nervoso, digestivo e cardíaco. A OPAS lembra, porém, que em sua fase inicial, a doença pode ser curada ou ter sua evolução clínica controlada. Na fase crônica, o tratamento pode retardar o progresso da enfermidade.

Conferência regional em Lima discute formas de combater a desigualdade e pôr fim à pobreza

Posted: 08 Aug 2018 12:08 PM PDT

Erradicação da pobreza é o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 1. Foto: EBC

A terceira reunião da Conferência Regional sobre População e Desenvolvimento da América Latina e do Caribe ocorre até quinta-feira (9) em Lima, no Peru, com um renovado compromisso dos países com a implementação do Consenso de Montevidéu, assim como o chamado a intensificar o combate à desigualdade e o impulso à erradicação da pobreza.

A reunião da Conferência foi inaugurada por Martín Vizcarra, presidente do Peru e secretário-executivo adjunto da Comissão Econômico para a América Latina e o Caribe (CEPAL); Natalia Kanem, diretora-executiva do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA); e Patrícia Chemor, secretária-geral do Conselho Nacional de População (CONAPO), do México.

Em seu discurso inaugural, o presidente Martín Vizcarra renovou o compromisso de seu país com a implementação do Consenso de Montevidéu sobre População e Desenvolvimento, o acordo intergovernamental mais importante assinado até agora na região em matéria de população e desenvolvimento.

Afirmou que “apesar de terem havido importantes avanços em diferentes aspectos do desenvolvimento humano, também devemos fazer frente a grandes desafios para incluir todos os cidadãos nos benefícios do desenvolvimento, em especial os mais pobres e excluídos e nossa sociedade”.

O presidente afirmou que a terceira reunião da Conferência Regional sobre População e Desenvolvimento “ocorre em um momento em que os países da América Latina e do Caribe fazem grandes esforços para erradicar a pobreza, a exclusão e a desigualdade”, e destacou que “no Peru, os objetivos que guiam nosso governo são claros: garantir o bem-estar da população e, dessa forma, ter um país mais justo e equitativo”.

Mario Cimoli, secretário-executivo adjunto da CEPAL, afirmou que o Consenso de Montevidéu retoma compromissos regionais cujo cumprimento ajudará os países da região a “não deixar ninguém para trás”.

Completou que um balanço preliminar de cinco anos de implementação do Consenso indica que a região avançou na compreensão e abordagem de muitos temas da agenda de população e desenvolvimento.

No entanto, “a promessa de não deixar ninguém para trás requer um compromisso maior de nossa região com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e com as agendas que ajudam a dar visibilidade aos grupos em condição de vulnerabilidade, tal como faz o Consenso de Montevidéu”, afirmou.

O funcionário da CEPAL destacou a contribuição da Conferência Regional sobre População e Desenvolvimento para o Fórum dos Países da América Latina e do Caribe sobre o Desenvolvimento Sustentável, já que é o único órgão intergovernamental encarregado de estudo e análise das tendências demográficas que constituem o marco do cumprimento da Agenda 2030 na região.

Natalia Kanem, por sua vez, afirmou que diante de desafios globais como desigualdade, violação dos direitos humanos, migração e deslocamento e mudanças climáticas, “o Consenso de Montevidéu é uma luz de esperança brilhante e poderosa”.

“Quando a Agenda 2030 nos chama a não deixar ninguém para trás e chegar primeiro aos mais necessitados, o Consenso de Montevidéu nos proporciona um caminho”, afirmou.

Patricia Chemor destacou que a América Latina e o Caribe tem importantes desafios que os países devem enfrentar com informação, estratégias e mecanismos que se encontrem à altura das demandas de suas populações.

“Ainda persistem grandes desigualdades econômicas, sociais, de gênero, de acesso a serviços de saúde, de educação, de uma vida íntegra e para a ampliação de oportunidades que devemos garantir para contar com um presente e um futuro mais justo e digno para todas e todos. E um dos mecanismos para consegui-lo é precisamente o Consenso de Montevidéu”, afirmou.

A terceira reunião da conferência teve a participação de ministros, vice-ministros e delegados de países latino-americanos e caribenhos, além de representantes de organismos internacionais, do setor privado, da academia e da sociedade civil.

Durante o encontro, organizado pela CEPAL e pelo governo do Peru, com o apoio do UNFPA, os países da região apresentarão relatórios voluntários sobre o avanço nacional na implementação do Consenso de Montevidéu.

A CEPAL apresentou na terça-feira (7) o projeto do primeiro relatório regional sobre a implementação do Consenso de Montevidéu sobre População e Desenvolvimento que dá conta dos avanços na dita implementação e das heterogeneidades existentes entre os países nesse processo.

A conferência será concluída na quinta-feira (9) com a presença de César Villanueva, presidente del Conselho de Ministros do Peru.

Agência da ONU e projeto Embaixada da Paz discutem ações conjuntas

Posted: 08 Aug 2018 11:05 AM PDT

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Jovens participantes do Programa Embaixadores da Juventude, iniciativa do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) para promover o empoderamento de jovens dentro do contexto da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, reuniram-se em Brasília (DF) no início de agosto com representantes do projeto Embaixada da Paz.

O objetivo foi discutir estratégias de promoção e reconhecimento de comportamentos interpessoais pacíficos no nível comunitário — aspecto essencial para a prevenção da violência e da criminalidade.

Foi o primeiro encontro entre as duas iniciativas com a intenção de promover uma cultura de paz entre jovens e adolescentes, pautando-se em princípios de solidariedade, de tolerância, do respeito à vida, aos direitos individuais e ao pluralismo.

A manhã foi dedicada à capacitação em processos criativos com foco em paz e segurança por meio de treinamento oferecido pela atriz Maria Paula Fidalgo, coordenadora do projeto Embaixada da Paz.

Na sequência, foram desenhadas estratégias de intervenção para promover a pauta, como a produção de conteúdos audiovisuais sobre a temática que será exibida nas telas disponibilizadas em vagões no Metrô do Distrito Federal.

Além da divulgação de fotonovelas nos meios de transporte do DF, os jovens do Programa Embaixadores da Juventude e a equipe da Embaixada da Paz também produzirão conteúdos literários a serem veiculados na mídia impressa na região. Tais ensaios reconhecerão iniciativas individuais e coletivas para promover a paz e o comportamento cidadão.

Brenda Ribeiro, moradora da cidade do Gama (DF) e participante da primeira edição do Programa Embaixadores da Juventude, destacou a importância do encontro.

Segundo a jovem de 25 anos, “é uma experiência enriquecedora trabalhar com pessoas dispostas a empregar energia e positividade para transformar a realidade da cidade”.

A jovem também esteve presente no encontro anterior realizado entre o UNODC e a Embaixada da Paz, em maio deste ano. Rodrigo Araujo, assistente de projetos do UNODC e um dos coordenadores do Programa Embaixadores da Juventude, reforça: “essa parceria é capaz de trazer um impacto social de grande escala”.

“Ao dialogarmos diretamente com cidadãos e cidadãs comuns que usam transporte público, conseguimos promover uma cultura que valoriza a comunicação não violenta em vez do conflito — e tudo por meio do humor e da literatura”, destacou.

A Embaixada da Paz tem o objetivo de incentivar a construção da paz em comunidades como ferramenta essencial para a redução da violência em escala global, por meio do fortalecimento de vínculos comunitários.

Já o Programa Embaixadores da Juventude, lançado em 2016 pelo UNODC em parceria com o Instituto Caixa Seguradora, é uma iniciativa que busca capacitar jovens entre 18 e 25 anos para atuarem como multiplicadores dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) em espaços sociais e políticos.

Fundo de População da ONU apresenta a campanha Ela Decide para ginecologistas e obstetras no RN

Posted: 08 Aug 2018 10:42 AM PDT

Gestante. Foto: PEXELS

Tem início na quinta-feira (9) a 31ª Jornada de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Norte. Evento reunirá especialistas para debater igualdade de gênero, depressão pós-parto, ginecologia na infância e adolescência e violência contra as mulheres. O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) apresentará no fórum a campanha Ela Decide, uma iniciativa em prol do empoderamento de jovens e mulheres.

Lançado em abril nas redes sociais, o projeto da agência da ONU divulga orientações sobre sexualidade e reprodução, promovendo decisões autônomas sobre o próprio corpo, relacionamentos e maternidade. “É importante sensibilizar profissionais da área médica para a promoção dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e jovens”, afirma Anna Cunha, oficial de programa que representará o UNFPA na jornada, em Natal.

Na avaliação da especialista, é necessário ouvir as demandas da juventude e da população do sexo feminino para oferecer “informações e serviços qualificados, respeitando as escolhas, expectativas e necessidades que possam ter”.

Com atividades amanhã e na sexta-feira (10), o congresso no Rio Grande do Norte terá diálogos sobre os avanços da medicina, contracepção, reposição hormonal e doenças como endometriose e Síndrome dos Ovários Policísticos. O tema da jornada de 2018 é “Saúde da mulher em foco”.

O evento é promovido pela Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Norte (SOGORN) e terá a participação de representantes do Ministério da Saúde e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

Guerra deixa região da Ucrânia à beira de ‘catástrofe ecológica’, alerta agência da ONU

Posted: 08 Aug 2018 10:01 AM PDT

Moradores da região de Donbas, na Ucrânia, atravessam ponte destruída pelos confrontos armados. Foto: OSCE SMM/Evgeniy Maloletka

A região de Donbas, no leste da Ucrânia, está “à beira de uma catástrofe ecológica”. O diagnóstico é da ONU Meio Ambiente, que alerta para os riscos à vida silvestre provocados pelo conflito armado no país europeu. Agência das Nações Unidas aponta que a combustão de munições e a destruição da infra-estrutura industrial aumentaram poluição. Em todo o território ucraniano, cerca de 530 mil hectares de ecossistemas foram afetados de algum forma ou mesmo destruídos pela guerra.

A devastação não poupou 80 mil hectares de 18 reservas naturais. Outros 150 mil hectares de florestas tiveram impactos associados aos conflitos — zonas de operações militares e suas áreas adjacentes já foram palco de 12,5 mil incêndios florestais. Os dados são de uma avaliação feita pela própria ONU Meio Ambiente, por meio de sua Plataforma de Ciência e Política sobre Meio Ambiente e Segurança.

O confronto na Ucrânia teve início em abril de 2014. Apenas no primeiro ano, a ausência de medidas protetoras para florestas, somada aos enfrentamentos militares, levou à destruição quase irreversível de 479 hectares de mata.

No polo agrícola e industrial de Donbas, na província de Donetsk, a crise ambiental tem dois agravantes — os ecossistemas já sofriam pressão de atividades produtivas, e a guerra danificou estruturas de contenção de riscos.

Uma porção significativa da zona rural de Donbas é controlada por empresas agrícolas e fazendeiros. Cerca de 80% dessas terras são cultiváveis. A exploração pela agropecuária já ameaçava as 50 espécies de mamíferos, 38 espécies de peixes, 300 tipos de pássaros e mais de dez espécies de répteis que são encontrados na região.

No ano anterior ao início do conflito, 5,5 mil indústrias operavam em Donbas, gerando 4,3 milhões de toneladas de CO2 — o equivalente a 44% das emissões de gás carbônico de toda a Ucrânia. Devido à destruição da infra-estrutura produtiva e de mecanismos de emergência, os riscos de degradação ambiental aumentaram significativamente, segundo as Nações Unidas.

“Donbas está à beira de uma catástrofe ecológica, alimentada pela poluição do ar, do solo e da água por conta da combustão de grandes quantidades de munição nos confrontos e de enchentes em fábricas”, alerta a analista da ONU Meio Ambiente, Leila Urekenova.

Outro problema identificado pelo organismo internacional é a poluição do rio Siverskyi Donets, o mais sujo da Ucrânia, mesmo antes dos confrontos armados. O curso d’água tem origem em território russo. A contaminação trazida pelo conflito coloca em perigo a população ribeirinha, para quem o rio é a principal fonte de água. A guerra também provocou a suspensão de algumas atividades agrícolas, o que levou à proliferação de ervas daninhas e ratos em alguns locais que margeiam o Siverskyi Donets.

Nos últimos anos, instituições que protegem reservas naturais perderam funcionários. Com isso, houve um aumento das violações do direito ambiental, bem como dos casos de caça em larga escala, extração ilegal de madeira e a interrupção das operações de gestão de resíduos. Espécies invasoras, como o chacal, o peixe-lua e o besouro asiático, também se disseminaram e colonizaram a zona de conflito e seus arredores.

A ONU Meio Ambiente ressalta que as florestas de Donetsk e Luhansk desempenham um papel fundamental nas paisagens naturais e também nas comunidades e assentamentos humanos. Isso porque previnem a erosão do solo e garantem a estabilidade do abastecimento de recursos hídricos que são obtidos em corpos d’água naturais. Os grandes pinheiros do leste da Ucrânia criam um ambiente favorável para a flora e a fauna locais e também para atividades socioeconômicas, como lazer, caça recreativa e a coleta de cogumelos, ervas e frutas.

A agência das Nações Unidas alerta ainda que a luta armada tem impacto “mecânico e químico” sobre essas áreas de vegetação — destroços e estilhaços de explosivos danificam as cascas, galhos e copas das árvores, destroem a vegetação do solo, enfraquecem ou matam troncos. As regiões de operações militares também são contaminadas por munições não detonadas, que podem levar anos para serem eliminadas, segundo casos similares observados na Sérvia, Macedônia e Bósnia e Hezergovina.

Relatores da ONU elogiam proposta de criação de Comissão da Verdade espanhola

Posted: 08 Aug 2018 08:51 AM PDT

Monumento às Vítimas da Guerra Guerra Civil e do Franquismo em Sanlúcar de Barrameda, Andaluzia, Espanha. Foto: Wikimedia Commons/Emilio J. Rodríguez Posada (CC)

Um grupo de especialistas em direitos humanos da ONU elogiou no fim de julho (25) a proposta do governo espanhol de criar uma Comissão da Verdade e por seu compromisso de elaborar um plano para buscar aqueles que desapareceram durante a guerra civil e a ditadura de Francisco Franco (1939-1975).

“Saudamos a iniciativa do governo e celebramos a abertura do diálogo sobre o que aconteceu durante as décadas de guerra civil e ditadura militar na Espanha”, disseram os especialistas.

“Esta decisão representa um passo fundamental para a realização do direito à verdade para todas as vítimas de graves violações dos direitos humanos.”

Os comentários se seguem ao anúncio de 10 de julho feito pelo Ministro da Justiça espanhol no Congresso sobre uma série de iniciativas para rever a Lei da Memória Histórica. Tal revisão permitiria criar uma Comissão da Verdade para investigar as violações ocorridas durante a guerra civil e o regime de Franco.

No relatório sobre sua visita ao país, em 2014, o relator especial da ONU para a promoção da verdade, justiça, reparação e garantias de não recorrência havia solicitado às autoridades que atendessem às demandas das vítimas em termos de verdade e que um mecanismo formal fosse estabelecido para esse fim.

“Estamos satisfeitos em ver que as autoridades espanholas decidiram direcionar seus esforços para alcançar este importante objetivo, colocando o direito à verdade no topo da agenda política”, disseram os especialistas.

A revisão legislativa também incluirá uma proposta para remover os símbolos de exaltação da ditadura e a ressignificação do Vale dos Caídos, erguido durante a ditadura de Franco e onde seus restos mortais estão enterrados.

Os especialistas ressaltaram a importância dos processos de construção e significação da memória histórica das violações passadas, e enfatizaram que “tais processos devem ocorrer dentro de um marco de transparência e participação da sociedade civil, com foco nas vítimas, proporcionar o espaço necessário para apresentar suas várias histórias e promover o pensamento crítico sobre eventos passados”.

Os especialistas também receberam com satisfação a criação de uma diretoria geral de Memória Histórica, que será responsável, entre outras coisas, pelo planejamento da busca de pessoas desaparecidas e pela divulgação dos detalhes das exumações, bem como pela criação e manutenção de uma lista oficial de vítimas.

Em seu relatório sobre a visita à Espanha em 2013, o Grupo de Trabalho sobre Desaparecimentos Forçados ou Involuntários criticou a falta de um plano nacional para procurar pessoas desaparecidas, a falta de coordenação dos esforços de exumação e identificação e o desatualizado mapeamento de sepulturas.

“Cumprimentamos a intenção do governo de assumir a responsabilidade de procurar ativamente por vítimas desaparecidas e pedimos que elas adotem imediatamente as medidas legislativas, administrativas e financeiras necessárias para exercer efetivamente essa função”, destacaram.

Em seu relatório de acompanhamento da visita publicada em 2017, o Grupo de Trabalho manifestou preocupação com a inação dos tribunais espanhóis no julgamento dos casos de desaparecimento forçado ocorridos durante a guerra civil e a ditadura.

“Esperamos que as iniciativas anunciadas recentemente sejam acompanhadas de progresso na esfera judicial, inclusive em relação a qualquer processo criminal realizado em qualquer país pelos desaparecimentos forçados cometidos na Espanha”, acrescentaram os especialistas.

Os especialistas independentes encorajaram o governo espanhol a envolver as famílias das vítimas e suas associações representativas na implementação das propostas.

Finalmente, os peritos enfatizaram sua disponibilidade para apoiar o governo espanhol na implementação das iniciativas, e salientaram que os esforços para promover a verdade, a memória e as garantias de não repetição são essenciais para a efetiva realização dos direitos humanos das vítimas e para reforçar a confiança dos cidadãos uns nos outros e nas suas instituições.

Líder caribenha quer recuperar função deliberativa do conselho econômico e social da ONU

Posted: 07 Aug 2018 02:34 PM PDT

Inga Rhonda King é a nova presidente do Conselho Econômico e Social da ONU, o ECOSOC. Foto: ONU/Rick Bajornas

Recém-eleita para presidir o Conselho Econômico e Social da ONU (ECOSOC), a caribenha Inga King afirmou em julho que o organismo precisa recuperar sua função deliberativa, a fim de orientar com eficiência os países na busca por sustentabilidade. A liderança, que é embaixadora de São Vicente e Granadinas, foi escolhida em 26 de julho para coordenar a instituição.

O ECOSOC coordena agências especializadas das Nações Unidas e é responsável por formular recomendações sobre desenvolvimento, comércio internacional, industrialização, recursos naturais, direitos humanos, condição da mulher, população, ciência e tecnologia, prevenção do crime e bem-estar social.

“Houve alguma insatisfação com o funcionamento do ECOSOC nos últimos anos. Mas nos próximos 12 meses, vamos trabalhar juntos para restaurar a (sua) ‘função deliberativa’”, defendeu a nova dirigente do organismo.

King também quer fortalecer o Fórum Político de Alto Nível como uma das mais importantes instâncias de acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

UERJ recebe até 24 de setembro inscrições para 7º Festival Curta

Posted: 07 Aug 2018 02:09 PM PDT

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) recebe até 24 de setembro inscrições para seu 7º Festival Curta, que em 2018 lembra o aniversário de 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O concurso é apoiado pelo Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).

Poderão ser inscritos vídeos com duração máxima de 10 minutos sobre avanços e desafios de direitos humanos. Os curtas devem abordar maneiras de os direitos humanos serem respeitados no dia a dia, iniciativas da sociedade, das escolas e dos governos para ampliar a conscientização sobre a Declaração, entre outros assuntos.

Os trabalhos podem ser inscritos nas categorias “Teen”, para autores de 12 a 17 anos; e “Adulto”. As melhores produções em cada categoria receberão câmeras digitais, smartphones e tablets.

Os eventos do festival terão a presença de representantes do UNIC Rio. Outro parceiro da iniciativa é a Academia Internacional de Cinema (AIC), que concederá duas bolsas de estudos (nos cursos “Roteiro Online” e “Cinema Teens”) ao primeiro colocado de cada categoria.

O 7º Festival Curta na UERJ é uma iniciativa do Centro de Tecnologia Educacional (CTE) / Sub-reitoria de Extensão e Cultura e tem como objetivo incentivar a produção em vídeo e animação, bem como ampliar o espaço para a exibição e a divulgação do audiovisual.

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Mortes de migrantes e refugiados aumentam no Mediterrâneo

Posted: 07 Aug 2018 01:43 PM PDT

Migrantes na costa da Líbia. Foto: ACNUR/Giuseppe Carotenuto

Nos primeiros sete meses de 2018, mais de 1,5 mil migrantes e refugiados morreram no Mediterrâneo tentando chegar à Europa. Somente em junho e julho, 850 indivíduos faleceram durante a travessia. Os números foram divulgados neste mês (3) pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), que alerta para aumento no número de óbitos na comparação com 2017.

Desde o início do ano, uma em cada 31 pessoas que tentaram atravessar a rota morreu ou está desaparecida. No ano passado, a taxa era de uma em cada 49. De janeiro a julho, cerca de 60 mil indivíduos cruzaram o Mediterrâneo com destino ao continente europeu. O contingente equivale à metade do identificado para o mesmo período de 2017 e é menor que o de todos os anos desde 2014.

A Espanha se tornou o destino número um dos refugiados e migrantes, com mais de 23,5 mil chegadas ao país da Península Ibérica. Em segundo lugar, vem a Itália, com 18,5 mil, e a Grécia, com 16 mil. Do total de pessoas que fizeram a travessia, 13,5% vêm da Síria.

Segundo o organismo da ONU, traficantes de pessoas sobrecarregam embarcações, que são deixadas ao relento para barcos de resgate após a partida. Em botes precários e sem navegadores, as populações migrantes e refugiadas têm de esperar a ajuda de ONGs e autoridades para sobreviver e chegar ao continente.

“O ACNUR pede urgentemente aos Estados e autoridades ao longo das rotas de trânsito que tomem todas as ações necessárias para desmantelar e suspender redes de tráfico”, afirmou o enviado especial da agência da ONU para o Mediterrâneo, Vincent Cochetel.

“Para salvar vidas no mar, temos de usar medidas apropriadas e necessárias para responsabilizar os que visam lucrar com a exploração de seres humanos vulneráveis”, completou o dirigente.

Secretário-geral da ONU manifesta preocupação com Venezuela após alegação de atentado

Posted: 07 Aug 2018 01:35 PM PDT

Secretário-geral da ONU, António Guterres. Foto: ONU/Eskinder Debebe

O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou na segunda-feira (6) preocupação com os últimos acontecimentos na Venezuela e disse rejeitar todos os atos de violência no país, segundo seu vice-porta-voz, Farhan Haq.

Segundo agências internacionais, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, afirmou ter sofrido um atentado durante uma cerimônia militar na capital Caracas. Sete soldados ficaram feridos quando, segundo o governo venezuelano, drones explodiram no local em que Maduro discursava. A imprensa internacional informou que seis suspeitos já foram detidos pelo ataque.

Ao ser questionado por jornalistas na sede da ONU, em Nova Iorque, Farhan Haq disse que “o secretário-geral da ONU pede, mais uma vez, que os atores nacionais façam todos os esforços para alcançar um consenso”, de acordo com a ONU News.

O chefe da ONU acredita que esse consenso é necessário “para resolver os muitos desafios do país, respeitando os direitos humanos de todos os venezuelanos e de acordo com a lei”.

O porta-voz afirmou ainda que as Nações Unidas “encorajam todos os países vizinhos a colaborar uns com os outros”.

Chefe ambiental da ONU pede mais esforços contra mudanças climáticas e destruição da natureza

Posted: 07 Aug 2018 12:42 PM PDT

Elefante na selva, em Gana. Foto: Banco Mundial/Arne Hoel

Em entrevista às Nações Unidas, o chefe da ONU Meio Ambiente, Erik Solheim, cobrou que países e setor privado acelerem esforços contra as mudanças climáticas e a perda de vida silvestre. Dirigente lembrou que 2017 foi o primeiro ano em que a energia solar gerou mais eletricidade do que o uso de petróleo, carvão e gás somados. Marco histórico deve estimular mudanças mais amplas rumo a modelos de crescimento econômico sustentáveis.

Solheim apontou avanços no uso de fontes renováveis e lembrou que a Índia já tem um aeroporto mantido apenas com energia solar. Localizado no sul do gigante asiático, o Aeroporto Internacional de Cochin é maior do que todos os aeroportos da África, com a exceção dos encontrados na África do Sul.

Nos Estados Unidos, o número de empregos no setor de energia solar já é cinco vezes maior do que a quantidade de vagas no setor de carvão, acrescentou o diretor-executivo da ONU Meio Ambiente.

O especialista também chamou atenção para conquistas na proteção da natureza e dos animais. Na Indonésia, políticas de conservação reduziram em quase 90% o desmatamento das zonas de turfa, uma cobertura vegetal que consegue armazenar quantidades significativas de dióxido de carbono. A China suspendeu todo o comércio de marfim, o que deve fragilizar o mercado de caçadores na África.

“Estamos indo na direção certa, mas realmente precismos acelerar”, alertou Solheim, que lembrou o recente caso de uma baleia encontrada na Tailândia, com 80 sacolas plásticas em seu estômago.

O dirigente espera que a Conferência de Beijing de 2020 produza resultados tão concretos para a proteção da biodiversidade quanto o Acordo de Paris. O encontro na China marca a 15ª Conferência das Partes da Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica. Durante a reunião, países avaliarão o cumprimento das metas do Protocolo de Cartagena e do Protocolo de Nagoia, mecanismos internacionais de proteção da vida silvestre.

FAO libera US$ 54 mi para projetos de restauração ambiental em 10 países

Posted: 07 Aug 2018 11:37 AM PDT

São Tomé e Príncipe. Foto: Flickr (CC)/Michael Stein

Para combater as mudanças climáticas e suas consequências, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) investirá 54 milhões de dólares em programas de recuperação de ecossistemas. Iniciativa será implementada em São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Camarões, Paquistão, Mianmar, Quênia, República Democrática do Congo, Tanzânia, República Centro-Africana e China.

Em entrevista ao portal de notícias da ONU em português, a ONU News, o coordenador sub-regional para a África Central da FAO, Helder Muteia, explicou como o projeto será executado em São Tomé e Príncipe. Com um orçamento de 4,6 milhões de dólares, a iniciativa beneficiará 17 mil pessoas e vai restaurar 36 mil hectares de floresta.

“É um projeto de restauração de paisagem, particularmente com enfoque nos recursos florestais e nos recursos do solo, como forma de combater os efeitos das mudanças climáticas e garantir que o país consiga fortalecer os seus elementos de resiliência e possa, sim, desenvolver-se de forma sustentável”, afirmou o especialista.

Com os esforços de preservação em São Tomé e Príncipe, a FAO espera que 295 mil toneladas de dióxido de carbono sejam absorvidas pelos ecossistemas recuperados. Segundo Muteia, o projeto deve incentivar a troca de conhecimentos e criar parcerias entre organizações internacionais, sociedade civil e outros atores locais.

“Sabemos que, muitas vezes, estas iniciativas de conservação têm um custo. Por isso, é preciso que as pessoas que estão integradas tenham atividades econômicas que permitam recuperar os custos de conservação. São Tomé e Príncipe é um dos países mais ameaçados pelas mudanças climáticas, particularmente com a subida do nível das águas do mar, que pode ameaçar alguns elementos do ecossistema.”

ONU busca inspiração em projeto paraibano para estimular produção de algodão em países africanos

Posted: 07 Aug 2018 11:14 AM PDT

Técnicos do Centro de Excelência contra a Fome da ONU visitam agricultores familiares que trabalham com algodão. Foto: PMA

Uma equipe do Centro de Excelência contra a Fome da ONU foi em julho à Paraíba conhecer boas práticas do setor algodoeiro local. Levantamento identificou iniciativas que podem ser replicadas pelo programa Além do Algodão, voltado para produtores de quatro países africanos — Benim, Moçambique, Quênia e Tanzânia.

O Projeto Algodão Paraíba promove, no semiárido, a produção consorciada da fibra com culturas alimentares. Os alimentos são comercializados em mercados locais e regionais, incluindo para o programa de alimentação escolar. A estratégia foi uma das experiências visitadas pelo Centro de Excelência durante os dias 26 e 27 de julho.

O principal objetivo da iniciativa estadual é fomentar a participação do agricultor familiar na cadeia do algodão orgânico. Os lavradores recebem assistência técnica para melhorar os índices de produtividade e diminuir seus custos.

O programa Além do Algodão vai ajudar agricultores africanos a escoar os subprodutos do algodão, como o óleo e a torta, e os produtos consorciados, como milho, sorgo e feijão. As boas práticas do Brasil servirão de inspiração para a cooperação Sul-Sul com o Benim, Moçambique, Quênia e Tanzânia. O projeto é executado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (EMATER), em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), a empresa Norfil e diferentes atores públicos e privados.

A missão à Paraíba teve a participação da Agência Brasileira de Cooperação (ABC). Técnicos do organismo do Itamaraty e do Centro de Excelência mapearam o papel desempenhado por cada ator na cadeia do algodão, como cooperativas, empresas e instituições públicas. Especialistas também identificaram boas práticas agrícolas aplicadas ao cultivo da fibra e avaliaram o potencial comercial do algodão, bem como os mecanismos de auxílio aos agricultores.

ONU-Habitat promove seminário em Maceió sobre habitação de interesse social

Posted: 07 Aug 2018 09:31 AM PDT

Seminário discutiu políticas públicas e projetos para habitação de interesse social e urbanização dos espaços urbanos das cidades do estado de Alagoas. Foto: EBC

O Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-HABITAT) realizou no fim de julho (25), em parceria com o Governo de Alagoas, evento em Maceió (AL) sobre políticas públicas e projetos para habitação de interesse social e urbanização dos espaços urbanos das cidades do estado.

O “Seminário Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social: Desafios e Estratégias para Acesso à Moradia Adequada em Alagoas” foi realizado por intermédio da Secretaria de Estado da Infraestrutura (SEINFRA) e do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Alagoas (CAU-AL).

O evento, que contou com mais de 230 participantes, proporcionou troca de experiências e boas práticas com o objetivo de difundir e apoiar o desenvolvimento de políticas públicas e projetos para a habitação de interesse social e a urbanização dos espaços urbanos da capital Maceió e demais cidades alagoanas.

Foram feitas apresentações de representantes do ONU-Habitat, do Governo do Estado de Alagoas (Seinfra), do CAU-AL, da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (CodHab-DF), do Programa Vivenda, do Soluções Urbanas e da Universidade Federal de Alagoas.

Clique aqui para acessar as apresentações.

Acordo no Sudão do Sul é passo importante para a paz, diz chefe de missão da ONU no país

Posted: 07 Aug 2018 09:17 AM PDT

Crianças em centro de proteção no Sudão do Sul. Foto: UNICEF/Hakim George

Houve júbilo nas ruas da capital do Sudão do Sul durante a noite de domingo (5), quando os moradores celebraram um novo acordo que o principal funcionário da ONU no país descreveu como “um grande passo à frente” para encerrar quase cinco anos de conflito brutal.

O presidente Salva Kiir e seu principal rival e ex-vice, Riek Machar, assinaram um acordo no domingo no vizinho Sudão, ao lado de membros de outras facções da oposição.

David Shearer, chefe da Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS), explicou que o acordo se concentra na questão da governança, com Kiir mantendo sua posição, enquanto Machar será nomeado o primeiro dos cinco vice-presidentes.

“O acordo é um grande passo à frente em termos de paz no Sudão do Sul”, disse ele ao UN News, falando da capital, Juba, na segunda-feira (6).

“O que ainda resta fazer — e as negociações estão em curso — é organizar a segurança no terreno para todas essas pessoas, e saber como o exército vai ser reformado: como vão reunir os grupos em conflito no mesmo exército?”

Ele disse que havia “uma série de outras questões” a serem resolvidas, como futuras políticas econômicas e programas humanitários. “Então, é muito mais um ponto de partida, mas é um ponto de partida que dois meses atrás muitos de nós não acreditávamos que veríamos.”

Com apenas sete anos de existência, o Sudão do Sul é a nação mais jovem do mundo. No entanto, um impasse político iniciado em dezembro de 2013 entre os dois rivais mergulhou o país em um conflito mortal.

Dezenas de milhares de pessoas foram mortas, enquanto mais de 4 milhões foram deslocadas, das quais cerca de 2 milhões fugiram para os países vizinhos.

Shearer destacou que as negociações em Cartum foram lideradas por Sudão e Uganda: dois países que, segundo ele, têm mais a ganhar ou perder, dependendo do que acontecerá no Sudão do Sul.

As negociações de paz anteriores foram lideradas pelo organismo regional da África Oriental, a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD, na sigla em inglês).

Perguntado sobre as perspectivas para este último acordo, o chefe da missão da ONU ficou ao lado do otimismo manifestado pelos cidadãos na capital, incluindo quase 40 mil deslocados em um campo de proteção das Nações Unidas perto de sua casa que estavam “festejando” na noite de domingo.

“Nosso trabalho na ONU é apoiar o máximo possível este acordo”, afirmou. “Há apenas um acordo na mesa. É este. Temos que tentar fazê-lo funcionar ”, acrescentou.

Mudanças climáticas ameaçam pesca e vida marinha na corrente de Humboldt, diz FAO

Posted: 07 Aug 2018 09:03 AM PDT

Cardume de peixes em Belize. Foto: Flickr (CC)/Alex Bennett

O aquecimento global ameaça a pesca no Chile, Equador e Peru, aponta um novo informe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Divulgado nesta semana (5), o relatório mostra que a elevação da temperatura global põe em risco o ecossistema formado pela corrente marítima de Humboldt, responsável em grande medida por sustentar a atividade pesqueira nos três países sul-americanos.

Segundo a agência da ONU, a disponibilidade de peixes no sistema da corrente de Humboldt é controlada principalmente pelo clima e seus efeitos sobre a produção de fitoplâncton, a base de toda a cadeia alimentar marinha. Durante as últimas décadas, o ecossistema criado por esse fluxo marítimo produziu mais peixes por unidade de área do que qualquer outro sistema no mundo.

Mas com uma clima mais quente, os eventos conhecidos como El Niño e La Ninã poderão ocorrer mais frequentemente, provocando uma diminuição na abundância de plâncton. Os efeitos de ambos os fenômenos são mais notáveis justamente ao longo do sistema da corrente de Humboldt.

De acordo com a FAO, estima-se uma redução geral no volume de fitoplâncton e zooplâncton para o ecossistema, como resultado de um esgotamento em larga escala dos nutrientes em águas subterrâneas. O fenômeno está associado ao aquecimento do planeta. A extensão média da área rica em zooplâncton deverá encolher em 33% nas zonas norte e central do sistema de Humboldt e em 14% na região ao sul da corrente.

Em média, 9,35 milhões de toneladas de peixes marinhos, moluscos e crustáceos foram capturados a cada ano no Chile e no Peru, de 2005 a 2015. Nesses dez anos, a agência da ONU identificou uma notável tendência decrescente do volume de pescado, principalmente devido à aplicação de planos de manejo mais rigorosos, mas também por conta de variações climáticas e, em alguns casos, da superexploração.

A região Norte-Centro do Peru registrou 75% do total de capturas, o sul do Peru e o norte do Chile responderam por quase 20%, e a região central do Chile contribuiu com menos de 5%.

A publicação da FAO mostra que modelos globais preveem, para 2050, uma redução moderada no potencial de captura do Chile e do Peru. Isso porque as mudanças climáticas podem impedir significativamente o sucesso da desova de pequenos peixes pelágicos, visados pelo setor industrial.

Estudos coletados pelo organismo das Nações Unidas antecipam ainda uma maior estratificação — quando massas de água com diferentes propriedades formam camadas que atuam como barreiras para a mistura de nutrientes. Outra consequência das mudanças climáticas incluem um forte aquecimento da superfície das águas peruanas e, em menor grau, das águas chilenas.

O sistema da corrente de Humboldt também é caracterizado pela presença de uma zona estendida de oxigênio mínimo. Trata-se de uma espessa camada de água a algumas dezenas de metros abaixo da superfície, onde a concentração de oxigênio é tão baixa que, com exceção das bactérias, apenas algumas espécies podem sobreviver temporariamente. Essa camada também pode se expandir em um mundo mais quente.

Recomendações para garantir a sustentabilidade da pesca

Embora essas projeções tenham um alto nível de incerteza, o informe da FAO elenca diferentes medidas para evitar que o aquecimento global prejudique o ecossistema marinho da corrente de Humboldt. Entre as orientações propostas, estão a institucionalização de modelos de governança participativos, a realização de estudos científicos especializados e melhorias no monitoramento.

A agência da ONU indica também que aumentar o controle da pesca, reduzindo a atividade para níveis sustentáveis, poderia ter um efeito social negativo a curto prazo, mas é uma estratégia indispensável para proteger a sustentabilidade nas próximas décadas.

Outra política sugerida é crescer a proporção de peixes para consumo direto humano, o que promoveria a segurança alimentar e, ao mesmo tempo, a aquicultura sustentável. A FAO ressalta a necessidade de reduzir os descartes e o desperdícios de peixe. O estudo destaca ainda que o uso de gás natural renovável, no lugar de combustíveis pesados, diminuiria a pegada de carbono do setor pesqueiro.

Acesse a publicação Impactos das mudanças climáticas na pesca e na aquicultura: Síntese do conhecimento atual, opções de adaptação e mitigação clicando aqui (em inglês).

FAO lança concurso de cartazes para Dia Mundial da Alimentação 2018

Posted: 07 Aug 2018 08:24 AM PDT

De acordo com o último relatório publicado por FAO e OPAS, a fome aumentou na América Latina e no Caribe pela primeira vez em mais de duas décadas. Foto: EBC

Em comemoração ao Dia Mundial da Alimentação, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) convoca crianças e adolescentes do mundo inteiro para expressar, em forma de desenho, como o mundo pode alcançar a meta de erradicar a fome até 2030.

O concurso tem o objetivo de propor a criação de um cartaz para a campanha mundial Fome Zero e, por meio desta atividade, conscientizar a nova geração para o fato de que existem 815 milhões de pessoas passando fome no mundo. Além delas, 1,9 milhão estão acima do peso.

Os participantes devem ter entre 5 a 19 anos. Os desenhos podem ser fotografados ou escaneados e enviados pelo site do concurso após preenchimento de cadastro (clique aqui). As inscrições vão até 9 de novembro.

Três vencedores em cada faixa etária ganharão uma bolsa de presentes surpresa, um certificado de reconhecimento e terão seus trabalhos expostos na sede da FAO em Roma, na Itália.

A FAO convida todas as crianças e adolescente a participar da jornada rumo à erradicação da fome no mundo e a descobrir que cada um de nós: governantes, empresários, agricultores e a população em geral, pode fazer parte da geração Fome Zero.

O que é o Dia Mundial da Alimentação?

A FAO comemora o Dia Mundial da Alimentação em 16 de outubro de cada ano para comemorar a fundação da Organização em 1945. Os eventos são organizados em mais de 150 países, tornando-se um dos dias mais celebrados no calendário da ONU. Esses eventos promovem conscientização e ação global para aqueles que sofrem com a fome e a necessidade de garantir a segurança alimentar e dietas nutritivas para todos.

O Dia Mundial da Alimentação é uma oportunidade para demonstrar nosso compromisso com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2 – Alcançar a meta do #FomeZero em 2030.

Assista ao vídeo promocional sobre o concurso.

UNFPA divulga lista de ações em saúde selecionadas para segunda etapa de selo de qualidade

Posted: 07 Aug 2018 08:03 AM PDT

Selo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) reconhece qualidade nos serviços de saúde oferecidos a adolescentes no DF. Foto: EBC

O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) divulgou na segunda-feira (6) a lista de 26 ações e serviços de saúde selecionados para a segunda etapa do selo “Chega Mais”, que reconhece e incentiva atendimento de qualidade para adolescentes do Distrito Federal (DF).

Nesta etapa, foram considerados critérios de acessibilidade, adequação ao público-alvo, considerações étnicas e integralidade, entre outros fatores. A certificação será concedida às equipes e serviços que atenderem às qualidade estabelecidas.

Segundo os critérios de avaliação, os serviços devem ser conhecidos por adolescentes e estar disponíveis, sem barreiras de acesso. Por isso, as ações precisam considerar a adolescência como um ciclo específico da vida e adotar condutas de acordo com as peculiaridades e com a realidade social dessa população.

O selo avalia se os serviços em saúde reconhecem a saúde sexual e reprodutiva como parte integral dos direitos humanos e seu exercício sendo fundamental para usufruir de outros direitos fundamentais.

A promoção, a proteção e a prevenção em saúde sexual e reprodutiva contemplam o autocuidado, o acesso aos métodos contraceptivos, a prevenção à mortalidade materna, a detecção oportuna e o acesso ao tratamento do HIV/AIDS, incluindo também os adolescentes na eliminação do estigma e discriminação comuns às pessoas que vivem com o vírus.

Ainda haverá uma terceira etapa no processo de certificação, que consiste em uma avaliação in loco. A lista das ações e equipes selecionadas está disponível clicando aqui.

Angola vence etapa Rio de Janeiro da Copa dos Refugiados

Posted: 07 Aug 2018 07:47 AM PDT

Seleção de Angola posa para a foto com o troféu de campeã da etapa Rio de Janeiro da Copa dos Refugiados 2018. Foto: ACNUR/MiguelPachioni

A equipe de Angola venceu no último final de semana (4) a etapa carioca da Copa dos Refugiados 2018. Inédito no Rio de Janeiro, o torneio foi realizado pela ONG África do Coração com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Campeonato teve a participação de 150 jogadores refugiados e migrantes, que representaram, além do Estado angolano, Guiné-Bissau, Haiti, República Democrática do Congo, Senegal, Síria, Venezuela e Colômbia.

Angola venceu todas as partidas disputadas e foi a equipe que mais marcou gols (15 em quatro jogos), sem sofrer nenhum. Os colombianos levaram a prata, e os sírios ficaram com o terceiro lugar.

“Além da taça de campeões, levamos para casa o sentimento de harmonia entre os refugiados do Rio de Janeiro e a mensagem (de) que somos pessoas como qualquer outra, que amamos o futebol como os brasileiros também amam”, disse o capitão do time angolano, Julson Love, de 31 anos.

A proposta da Copa dos Refugiados ultrapassa a competição — o objetivo é promover a integração entre os jogadores e trazer mais visibilidade para o tema do refúgio no Brasil. No país do futebol, o organismo da ONU acredita que o esporte pode funcionar como um catalizador de vínculos entre os estrangeiros e as comunidades que os acolhem.

“O Brasil é um país em que os direitos são para todos, e isso é muito bom. A legislação vigente para os brasileiros é a mesma para os refugiados, e isso é muito importante porque somos iguais, com os mesmos sonhos: ter um trabalho digno, dar continuidade nos estudos, formar uma família”, afirmou o jogador Ambrósio, refugiado congolês de 23 anos.

Vivendo no Brasil há dois anos, o jovem está fazendo graduação em gestão de recursos humanos. Seu time acabou sendo desclassificado pela Síria durante uma disputa de pênaltis.

O sírio Ali Soliman, de 23 anos, vive no Brasil há um ano e oito meses. Sua chegada é reflexo das atrocidades causadas pela guerra em seu país de origem.

“Vim para o Brasil porque tive que deixar o meu país e não imaginava que esta guerra pudesse permanecer até os dias de hoje. Estudava matemática, mas não pude continuar. Minha universidade ficou sem professores, sem aulas. Toda a minha família continua na Síria e tenho muita saudade deles, mas minha vida no Brasil está boa. Consigo me manter com a venda de esfirras no Rio de Janeiro, como muitos dos meus parceiros de time”, explica.

O jogador do time venezuelano, Manuel Moreira, chegou ao Brasil há oito anos para dar continuidade aos seus estudos, acompanhado de sua esposa, ambos geoquímicos. Hoje, com 38 anos, tem a certeza de que não é o momento certo para retornar à Venezuela.

“Quando eu e minha esposa chegamos, viemos para fazer um mestrado por apenas dois anos. Mas as coisas foram piorando em nosso país e, então, decidimos continuar por aqui e fazer doutorado, pensando que em quatro anos as coisas estariam melhor. Já fizemos pós-doutorado e a situação da Venezuela continua muito delicada”, conta o pesquisador.

Inclusão no mercado de trabalho

Durante a cerimônia de abertura da Copa, realizada na sexta-feira (3), no Maracanã, representantes da sociedade civil, empresas patrocinadoras e poder público defenderam a inclusão dos refugiados não apenas por meio do esporte, mas também através do trabalho. Empregabilidade é vista como meio de garantir uma integração sustentável dos estrangeiros no Brasil.

A gerente de Diversidade e Inclusão da Sodexo On-site, Lilian Rauld, ressaltou que as pessoas em condição de refúgio possuem habilidades capazes de melhorar a produtividade das empresas.

“No Brasil, temos 35 mil funcionários e mais de 85 refugiados e migrantes entre eles, sendo esta uma relação onde todos ganham: a pessoa se desenvolve e a empresa tem melhorado seus resultados e performance. É fantástico ter uma equipe diversa porque estas pessoas vão trazer inovações e agregar conhecimentos”, afirmou a gestora.

A Copa dos Refugiados 2018 teve início em junho, em Porto Alegre. Nessa primeira etapa, o campeão foi o time do Senegal. A próxima rodada do torneio acontecerá em São Paulo, entre os meses de agosto e setembro, com 16 seleções.

Além dos jogos, a etapa Rio de Janeiro promoveu passeios culturais com crianças refugiadas, que visitaram o Aqua Rio, o Museu da República e parques de diversão. O campeonato também promoveu um debate com mulheres refugiadas no Centro Cultural Banco do Brasil.

Benazira Djoco, refugiada da Guiné-Bissau e embaixadora da África do Coração, fez um apelo por mais investimentos na integração dos refugiados, sobretudo das mulheres.

“Peço que as empresas adotem a postura de capacitar e contratar refugiadas. Sei que o país tem muitos problemas, mas só precisamos de uma chance para mostrar a nossa capacidade”, disse a guineense, que chegou ao Brasil em 2001, com 15 anos de idade.

A Copa do Rio teve o apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, da Cáritas Rio de Janeiro, da rede SESC/SENAC e das empresas Eletrobras Furnas e Sodexo.

ONU alerta para impasse no desarmamento nuclear 73 anos após ataque a Hiroshima

Posted: 06 Aug 2018 02:55 PM PDT

Civis feridos, que escaparam do bombardeio atômico, reuniram-se no bairro de Miyuki-bashi em Hiroshima, Japão, às 11h da manhã em 6 de agosto de 1945. Foto: ONU/Yoshito Matsushige

O mundo precisa da liderança moral e contínua do povo de Hiroshima, disse nesta segunda-feira (6) a principal autoridade de desarmamento das Nações Unidas, lembrando o 73º aniversário do bombardeio atômico que devastou a cidade. Ela lamentou que, após décadas de esforços para um mundo livre de armas nucleares, o progresso tenha sido interrompido.

“As tensões entre os Estados detentores de armas nucleares estão aumentando. Os arsenais nucleares estão sendo modernizados e, em alguns casos, ampliados”, afirmou Izumi Nakamitsu, representante para assuntos de desarmamento, falando em nome do secretário-geral da ONU, António Guterres, na cerimônia do Memorial da Paz de Hiroshima.

Em 6 de agosto de 1945, o bombardeio de Hiroshima por parte dos Estados Unidos matou dezenas de milhares de pessoas, muitas das quais sucumbiram aos ferimentos nos meses seguintes ao ataque. Aqueles que sobreviveram ao bombardeio em Hiroshima — e em Nagasaki, alguns dias depois — são denominados “hibakusha” no Japão.

“É um privilégio prestar homenagem aos cidadãos de Hiroshima e a todos aqueles que enfrentaram a destruição nuclear nas semanas, meses e anos que se seguiram, e em solidariedade aos hibakusha e suas famílias”, disse Nakamitsu, ressaltando que o que ocorreu naquele dia em 1945 “não pode nem nunca deve acontecer novamente”.

“O futuro dos nossos filhos e dos filhos de nossos filhos depende disso”, ressaltou.

Segundo a chefe de desarmamento da ONU, o legado de Hiroshima é a resiliência. “A cidade que vemos hoje, essa metrópole movimentada, é um testemunho desse fato”, disse. “Vocês, povo de Hiroshima, não são apenas bravos sobreviventes da bomba atômica, mas corajosos ativistas pela paz e pela reconciliação”.

Nakamitsu agradeceu o povo de Hiroshima por lembrar o mundo, por décadas, “a ameaça que as armas nucleares representam para nossa segurança global, nacional e humana”.

Ela apontou para a adoção do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares no ano passado como uma demonstração do apoio internacional para o fim permanente da ameaça nuclear, bem como a frustração com o ritmo lento de atingir essa meta.

“Os líderes mundiais devem retornar ao diálogo e à diplomacia, a um caminho comum rumo à total eliminação das armas nucleares e a um mundo mais seguro e seguro para todos”, afirmou.

O secretário-geral da ONU viaja nesta segunda-feira (6) para participar da 73ª Cerimônia de Paz de Nagasaki, na quinta-feira (9).

Ele também deve se encontrar com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e com o ministro das Relações Exteriores do país, Taro Kono, para homenagear os hibakusha e entregar sua mensagem de que os líderes devem retornar ao diálogo e à diplomacia.