Boletim diário da ONU Brasil: “Holanda denuncia Rússia por tentativa de hackear

Holanda denuncia Rússia por tentativa de hackear agência da ONU

Posted: 08 Oct 2018 01:11 PM PDT

Sede da OPAQ, em Haia. Foto: OPAQ

Autoridades holandesas informaram neste mês (4) que quatro espiões russos tentaram em abril um ataque cibernético à Organização para Proibição de Armas Químicas (OPAQ). O organismo da ONU realizava uma investigação sobre o suposto atentado químico em Salisbury, na Inglaterra, onde o ex-agente russo Sergei Skripal e sua filha Yulia ficaram gravemente feridos em uma tentativa de envenenamento.

O Ministério das Relações Exteriores da Holanda informou na semana passada que o Serviço de Inteligência e Defesa do país encontrou e prendeu quatro agentes russos perto da sede da OPAQ. A equipe de espiões estava em posse de equipamento especializado para hackear o sistema da agência da ONU, que fica localizada em Haia.

Em setembro (4), a OPAQ concluiu que a toxina utilizada no ataque de Salisbury era uma substância de alta pureza, o Novichok. A agência também afirmou que era “altamente provável” que a Rússia estivesse por trás do episódio. À época do atentado, o organismo enviou um time de especialistas para coletar amostras do local e também sangue dos três indivíduos envenenados — além do pai e filha russos, a policial Dawn Sturgess também foi contaminada e veio a falecer após o envenenamento.

A Rússia já negou repetidas vezes qualquer envolvimento com o ocorrido na Inglaterra.

Também na semana passada, os governos dos Estados Unidos, Inglaterra e Holanda acusaram espiões russos de participação em uma série de “conspirações cibernéticas” em todo o mundo. Alegações foram rejeitadas pelas autoridades da Rússia.

Em nova divulgada à imprensa, a OPAQ agradeceu ao governo holandês pela proteção e informou que houve um aumento de ataques cibernéticos à agência desde o início de 2018. O organismo afirmou que considera, com bastante seriedade, a segurança das suas redes e sistemas de informação.

A agência da ONU é responsável por monitorar e apoiar os países na implementação da Convenção sobre Armas Químicas. O documento é o tratado de desarmamento mais bem-sucedido do mundo, responsável por eliminar uma classe inteira de armas de destruição em massa.

ONU cria centro de combate à fome no oeste da África

Posted: 08 Oct 2018 12:21 PM PDT

Preparação de merenda escolar no condado de Montserrado, na Libéria. Foto: UNMIL/Christopher Herwig

O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) anunciou neste final de semana (5) a criação do Centro de Excelência contra a Fome e a Má Nutrição no Oeste e Centro da África. Com sede em Abidjan, capital da Costa do Marfim, o organismo funcionará como uma plataforma de cooperação entre os países do continente, permitindo a difusão de boas práticas em agricultura familiar, manejo de perdas pós-colheita, proteção social e resiliência comunitária.

“Esse centro será uma incubadora de soluções e um ponto de encontro para o compartilhamento de soluções para a fome, adaptadas ao contexto africano”, afirmou Abdou Dieng, diretor regional do PMA para o Oeste e Centro da África.

A nova instituição é fruto de uma parceria entre a agência da ONU e o governo da Costa do Marfim. Autoridades do país se reuniram com representantes do PMA no último sábado para assinar o acordo que determina a criação do centro.

“Há muitas abordagens bem-sucedidas para melhorar a segurança alimentar espalhadas pela região, mas poucas experiências chegam além de suas próprias fronteiras. Eu gostaria de agradecer à Costa do Marfim por dar esse passo significativo para nos ajudar a tirar proveito dessas ideias, para garantir que as pessoas não tenham que dormir de barriga vazia na região”, acrescentou Dieng.

Segundo o PMA, o Estado marfinense priorizou a luta contra a má nutrição e a fome em seu plano de se tornar uma nação emergente. O país desenvolveu modelos de sucesso de alimentação escolar, que conectam a demanda dos centros de ensino à oferta da agricultura local. A nação africana também se comprometeu a divulgar os conhecimentos adquiridos com a implementação dessas políticas, promovendo a ampliação de estratégias similares em outros países.

O centro busca replicar as experiências de cooperação Sul-Sul do Centro de Excelência contra a Fome baseado no Brasil. A instituição brasileira ajuda países na África, Ásia e América Latina a criar e fortalecer projetos sustentáveis de alimentação escolar e proteção social.

ONU diz estar pronta para apoiar Haiti após terremoto atingir costa norte do país

Posted: 08 Oct 2018 12:19 PM PDT

Secretário-geral da ONU, António Guterres. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Na sequência do terremoto de magnitude 5.9 que atingiu o noroeste do Haiti no sábado (6), o secretário-geral da ONU, António Guterres, transmitiu no domingo (7) suas condolências ao povo e ao governo do país, e disse que as Nações Unidas estão prontas para ajudar com a resposta de emergência.

“O secretário-geral da ONU manifestou tristeza ao saber da trágica perda de vidas e ferimentos causados ​​pelo terremoto no noroeste do Haiti em 6 de outubro”, disse um comunicado divulgado por seu porta-voz.

O terremoto, que de acordo com a imprensa internacional aconteceu no sábado (6), perto de Port-de-Paix, na costa norte do Haiti, deixou pelo menos 11 mortos e mais de 100 feridos.

Tremores foram sentidos na capital haitiana, Porto Príncipe, bem como na vizinha República Dominicana e no leste de Cuba.

Na declaração, o chefe da ONU estendeu suas condolências às famílias das vítimas e ao governo do Haiti.

“As Nações Unidas estão prontas para apoiar o governo do Haiti nos esforços de resposta”, concluiu o comunicado.

Este é o terremoto mais forte a atingir o Haiti desde 2010, quando a pequena nação insular foi devastada por um tremor de magnitude 7.3, que afetou cerca de 3 milhões de pessoas.

Encontro em SP discute zero discriminação nos serviços de saúde

Posted: 08 Oct 2018 12:02 PM PDT

UNAIDS e Ministério da Saúde realizam encontro em SP para debater a Zero Discriminação nos serviços de saúde. Foto: UNAIDS

O Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/AIDS (UNAIDS) e o Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/AIDS e das Hepatites Virais (DIAHV) do Ministério da Saúde realizaram na semana passada (2 e 3), em São Paulo, o Seminário Zero Discriminação nos Serviços de Saúde. Durante dois dias, participantes debateram o impacto da discriminação na saúde e propuseram diretrizes e padrões para eliminar o problema.

O encontro reuniu cerca de 50 pessoas das áreas de gestão pública e gestão na saúde, além de representantes de sociedade civil, academia, incluindo populações-chave e pessoas vivendo com HIV. O seminário marcou a conclusão de uma primeira etapa de debates iniciada em julho — os chamados Diálogos para Zero Discriminação na Saúde.

Entre julho e agosto, o UNAIDS e o DIAHV percorreram as cinco regiões do Brasil conduzindo um processo de escuta aprofundada de mais de 70 pessoas de populações-chave — gays e outros homens que fazem sexo com homens, travestis e pessoas trans, trabalhadoras do sexo, usuários de álcool e outras drogas, pessoas privadas de liberdade —, incluindo também diálogos com jovens que vivem com o HIV a partir da transmissão vertical, pessoas vivendo com HIV e profissionais e estudantes da área da saúde.

Inspirado na Agenda para Zero Discriminação nos Serviços de Saúde, lançada pelo UNAIDS em 2017, os diálogos e o seminário tiveram o objetivo de promover o debate entre pessoas mais diretamente ligadas à questões de direitos humanos, HIV e saúde pública com a proposta de cumprir um dos sete objetivos sugeridos na Agenda elaborada pelo UNAIDS — o ponto de número 2, que sugere “definir diretrizes e padrões de Zero Discriminação nos serviços de saúde.”

“Durante todo esse processo, nosso foco esteve muito mais nas perguntas do que nas respostas”, conta Georgiana Braga-Orillard, diretora do UNAIDS no Brasil. “Já contamos com diversos marcos globais e nacionais que preveem a humanização e a prestação de serviços de saúde livres de discriminação. Por isso, a reflexão proposta ao longo dos diálogos e do seminário teve um caráter de questionamento, para que nós pudéssemos levantar ideias sobre como tornar tudo isso em realidade, de forma positiva, propositiva, esperançosa, inclusiva e motivadora”.

“O Ministério da Saúde vai lançar, no dia 1º de dezembro, a Agenda Estratégica para Ampliação do Acesso e Cuidado Integral das Populações-chave em HIV, Hepatites Virais e outras ISTs e toda esta discussão realizada aqui está articulada com esta estratégia”, explicou Adele Benzaken, diretora do DIAHV. “Além do UNAIDS, outros organismos que compõem o Programa Conjunto da ONU também contribuíram com a construção dessa agenda, agora chegou o momento de compartilhamos com eles os resultado que tivemos aqui e reforça este processo”.

O seminário foi realizado no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, com apoio da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da Universidade de São Paulo (USP). No primeiro dia, os participantes iniciaram o encontro com um primeiro trabalho em grupos para definir o que caracteriza um serviço Zero Discriminação.

Na sequência, puderam ouvir falas inspiradoras sobre transmissão vertical e racismo, epidemia de HIV entre gays e outros homens que fazem sexo com homens e sobre os obstáculos ainda encontrados por pessoas trans e travestis nos serviços de saúde. O primeiro dia do encontro também foi marcado por painéis de debate sobre estudos acadêmicos sobre o tema e boas práticas de Zero Discriminação já em andamento na rede pública de saúde em diversas regiões do país.

O segundo dia foi reservado para os trabalhos em grupo com foco na definição conjunta de diretrizes e padrões de Zero Discriminação nos serviços de saúde em seis eixos: comunicação, acolhimento/atendimento, controle social/articulação social, educação/permanente, gestão e estrutura.

Agricultora lembra luta por terra e moradia em assentamento em Goiânia

Posted: 08 Oct 2018 11:43 AM PDT

No final dos anos 1990, Sandra Pereira de Faria vivia num assentamento em Goiânia com medo de ser expulsa da terra e ficar sem um lugar para morar com seus dois filhos. Imagem: FAO

A busca por terra e moradia faz parte da vida das mulheres do assentamento São Sebastião, localizado no município de Silvânia (GO). Uma das habitantes do antigo acampamento, Sandra Pereira de Faria lembra que as famílias viveram por anos sob ameaças, sendo expulsas da propriedade que ocupavam, com crianças a tiracolo.

Em janeiro de 1997, a agricultora morava com seus dois filhos em lonas provisórias na fazenda São Sebastião. O terreno era o lar de outras 17 famílias. Ninguém tinha recursos para se manter, e a população do local se sustentava com cestas básicas doadas pela igreja da cidade.

Sandra não havia terminado seus estudos, mas ensinava o que podia para os moradores em uma tenda de alfabetização solidária.

As famílias foram despejadas duas vezes do acampamento, mas por não terem onde ficar, voltavam para o mesmo lugar. Todos os assentados sofriam com as ameaças do gerente da propriedade.

“Lembro-me de uma noite que me abriguei na mata para poder dormir com os meus filhos, pois destruíram minha barraca”, recorda.

Aos poucos, as mulheres do assentamento foram se articulando politicamente para reivindicar mais direitos. As agricultoras conseguiram criar uma lavoura comunitária de arroz. Depois, os grupos passaram a plantar milho, feijão, mandioca e deram início à criação de gado. Com a permissão da posse da terra e o desenvolvimento da produção, a luta passou a ser a construção de um lar para o conforto e a segurança das famílias.

“Passamos por muitas dificuldades, pois não tínhamos recurso suficiente para pagar os pedreiros”, diz Sandra.

A comunidade organizou um mutirão para construir uma casa por vez, priorizando as famílias mais necessitadas. Todos ajudaram com a mão de obra, inclusive as trabalhadoras rurais.

“As mulheres do assentamento são fortes e guerreiras, eram elas que preparavam a argamassa, faziam reboco de parede e carregavam os tijolos”, conta Sandra.

“O momento mais importante da minha vida foi a construção da minha casa, a emoção de poder ver o meu espaço, pois desde a minha juventude eu não tinha um lar, um lugar para chamar de meu.”

A residência da agricultora foi a última a ser construída, já que ela deu prioridade às outras famílias que estavam mais necessitadas. Depois que as famílias conseguiram se estabilizar, a mobilização das mulheres do assentamento ganhou outro objetivo — trazer luz elétrica para o município. Em 2003, foram instalados os postes de iluminação na cidade.

“A chegada da luz foi uma imensa alegria para nós. Principalmente para as nossas crianças, que não conheciam a televisão nem a geladeira”, conta Sandra.

Atualmente, vivem no município 33 famílias. Em sua maioria, os jovens da comunidade possuem formação superior. Ainda assim, preferem voltar e trabalhar com a agricultura familiar. “Hoje a nossa vida é um paraíso, temos uma produção muito boa e diversificada”, explica Sandra. As agricultoras produzem pimenta, açafrão, rapadura, melado, leite e também artesanato.

“A mulher é o esteio da casa e na agricultura mais ainda. São elas que produzem e dão assistência à comunidade, são autoras de tudo e não são reconhecidas. São as agricultoras as primeiras a levantar, vão à luta e são as últimas a dormir”, acrescenta a agricultora.

15 dias pela autonomia das mulheres rurais

Os papéis desempenhados pelas mulheres rurais são tão numerosos quanto suas lutas e vitórias. O que não faltam são histórias de vida inspiradoras. No entanto, elas ainda não têm o reconhecimento merecido. Sofrem com o preconceito e a desigualdade de gênero.

Ainda há um longo caminho para a igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres no campo. A fim de mostrar que a equidade de gênero e o respeito são valores necessários cotidianamente, a ONU decretou 2018 como o Ano da Mulher Rural.

A partir de 1º de outubro, serão publicadas no portal da FAO uma série de reportagens que fazem parte da Campanha Regional pela Plena Autonomia das Mulheres Rurais e Indígenas da América Latina e do Caribe – 2018. Serão 15 dias de ativismo em prol das trabalhadoras rurais que, de acordo com o censo demográfico mais recente, são responsáveis pela renda de 42,2% das famílias do campo no Brasil.

Para acessar todas as matérias da campanha, clique aqui.

Escritório da ONU e CGU iniciam pesquisa na área de PPPs e concessões

Posted: 08 Oct 2018 10:49 AM PDT

A pesquisa foi iniciada na última quinta-feira (8) e os resultados serão disponibilizados até o final deste ano. Foto: EBC

Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU) iniciaram na semana passada (4) pesquisa sobre regulação em Parcerias Público-Privadas (PPPs) e concessões no Brasil. O objetivo da iniciativa é apoiar governos e órgãos reguladores a identificar gargalos na estrutura regulatória, além de auxiliar a identificar possíveis oportunidades na área.

Os resultados da pesquisa serão disponibilizados até o final deste ano. Bernardo Bahia, especialista em PPPs do UNOPS, explicou que a pesquisa é online e tem como público-alvo especialistas, estudiosos ou profissionais que atuam na área de regulação. “Nosso objetivo é apresentar as melhores práticas em PPPs e concessões depois da realização da pesquisa”, disse.

Na assinatura do acordo de cooperação entre as instituições, o  secretário-executivo da CGU, José Marcelo Castro de Carvalho, ressaltou que “essa parceria vai ao encontro dos objetivos estratégicos da Controladoria 2016-2019, que incluem desenvolver mecanismos inovadores para a melhoria da gestão pública, da qualidade do gasto e do enfrentamento à corrupção”. Além disso, de acordo com o secretário federal de Controle da CGU, Antônio Carlos Leonel, “a regulação econômica é um tema muito relevante e foi elencado nas prioridades da CGU”.

“Este é um exemplo sobre como o UNOPS pode colaborar com os governos com os quais trabalha, trazendo inovação e conhecimento em temas ligados ao nosso mandato”, disse Claudia Valenzuela, representante do UNOPS no Brasil, sobre a iniciativa. De acordo com ela, o escritório contribui para que seus parceiros ampliem suas capacidades por meio do compartilhamento de conhecimentos.

Desde 2013, o UNOPS oferece serviços de apoio a parcerias, acompanhamento de contratos e definição do melhor tipo de contrato para cada caso. Além disso, trabalha na elaboração de projetos viáveis tecnicamente e na execução sustentável dos serviços públicos, sempre com o objetivo de ampliar a capacidade dos governos.

UNOPS

O UNOPS é o organismo das Nações Unidas que apoia governos, agências da ONU, organismos multilaterais e outros parceiros nas áreas de infraestrutura, gestão de projetos, compras públicas, gestão financeira e recursos humanos. Sua missão é ajudar as pessoas a construir vidas melhores e os países a implementar a Agenda 2030 e alcançar o desenvolvimento sustentável.

No Brasil, o UNOPS apoia governos em diferentes áreas por meio de acordos de cooperação técnica. Com uma equipe com especialistas, o escritório transfere conhecimentos, garantindo que recursos públicos sejam utilizados de forma eficiente e transparente e que os projetos sejam geridos com foco em sustentabilidade.

Fundo de População da ONU apoia reunião sobre igualdade de gênero em Brasília

Posted: 08 Oct 2018 10:31 AM PDT

Reunião técnica sobre igualdade de gênero e empoderamento de meninas acontece em Brasília. Foto: UNFPA Brasil/Erick Dau

No Dia Internacional da Menina, lembrado em 11 de outubro, a Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente do Ministério dos Direitos Humanos (SNDCA/MDH), em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), promove uma reunião técnica em Brasília (DF) sobre igualdade de gênero e empoderamento de meninas. O debate fomenta o enfrentamento à discriminação e à violência baseada em gênero, e o empoderamento das meninas como protagonistas de suas vidas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada três mulheres sofre violência ao longo da vida, muitas durante a adolescência. Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) demonstram que, independentemente do contexto social ou geográfico, até 60% dos ataques sexuais conhecidos em uma família são cometidos contra meninas de 15 anos ou menos.

A igualdade de gênero e o empoderamento de todas as mulheres e meninas é um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, adotada pelos 193 países-membros das Nações Unidas. Com a incorporação de consultores e consultoras especializadas, a reunião técnica tem como enfoque temas como gravidez não planejada entre adolescentes; direitos de adolescentes mães; casamento e união estável precoce; adolescentes jovens mulheres que não estejam inseridas no mercado de trabalho e não estudam.

Segundo a oficial de programa para gênero e raça do UNFPA, Rachel Quintiliano, a construção de estratégias para assegurar os direitos de meninas e jovens mulheres não pode deixar de considerar a discriminação agravada, que inclui geração, gênero, raça e etnia. “As desigualdades expõem as meninas de maneira precoce a situações de violações de direitos, afetando o acesso a educação, trabalho e saúde, por exemplo, o que acaba por criar um ciclo de reprodução intergeracional dessas desigualdades e a falta de oportunidades”, avalia a oficial.

A reunião pretende sensibilizar e subsidiar tomadores de decisão e organizações da sociedade civil para promover direitos, também em uma perspectiva de gênero e raça, das adolescentes e das jovens, com foco na união precoce (casamento na infância), gravidez não planejada, adolescentes e jovens meninas afastadas da escola e do mercado de trabalho. A iniciativa tem como objetivo a produção, em diálogo com boas práticas internacionais, de conteúdos e instrumentos técnicos e metodológicos para subsidiar o fortalecimento de capacidades da SNDCA/MDH. O evento é exclusivo para convidados.

OPAS abre convocatória para projetos de pesquisa sobre impacto econômico do Mais Médicos

Posted: 08 Oct 2018 10:10 AM PDT

Médico cubano do programa ‘Mais Médicos’ realiza atendimento na Ilha de Marajó, no Pará. Foto: OPAS/OMS

A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) abriu na sexta-feira (5) uma convocatória para projetos de pesquisa sobre o impacto econômico do programa Mais Médicos. A inscrição pode ser feita até as 16h (horário de Brasília) de 19 de outubro. As três melhores propostas serão contratadas por 15 mil reais para estruturar um projeto de investigação.

O processo seletivo será feito por uma comissão composta por pessoas de reputação ilibada e reconhecido conhecimento técnico sobre o tema a ser avaliado. Farão parte desse painel de especialistas membros da Associação Brasileira de Economia da Saúde (ABRES), da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), do Ministério da Saúde do Brasil, da Universidade de Brasília (UnB) e da OPAS.

Entre os principais temas de interesse para desenvolvimento do trabalho estão:

1) Análises de custo-benefício do Programa Mais Médicos
2) Análises de custo-utilidade do Programa Mais Médicos
3) Análises de custo-efetividade do Programa Mais Médicos
4) Resolutividade baseada no conjunto de serviços ofertados no primeiro nível de atenção versus custos adicionais de outros níveis de atenção
5) Comparativo de custos do Programa Mais Médicos versus da atenção básica em geral
6) Impacto econômico da resolução de internações evitáveis em primeiro nível de atenção em decorrência do Programa Mais Médicos
7) Sustentabilidade financeira do Programa Mais Médicos
8) Investimentos necessários junto aos níveis municipais, estaduais e federais para transformação das bolsas de residência dos médicos cooperados do Programa Mais

Médicos em postos de trabalho fixos

“Queremos gerar evidências que ajudem a fortalecer o Mais Médicos e o SUS (Sistema Único de Saúde) como um todo. Os melhores projetos poderão, inclusive, receber no futuro mais recursos para ampliação da pesquisa”, afirma Gabriel Vivas, coordenador do Mais Médicos na representação da OPAS/OMS no Brasil.

A inscrição pode ser feita pelo endereço: https://simm.campusvirtualsp.org/pt-br/convocatoria-perspectiva-economica.

Sobre o programa

O Mais Médicos foi criado em 2013 pelo governo federal brasileiro, tendo como um dos objetivos suprir a carência desses profissionais nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades. A OPAS coopera tecnicamente com a iniciativa, triangulando acordos entre Brasil e Cuba para a vinda de médicos de Cuba para atuar em Unidades Básicas de Saúde, no setor de Atenção Básica do Sistema Único de Saúde brasileiro.

Três eixos compõem o Mais Médicos: o primeiro prevê a melhoria da infraestrutura nos serviços de saúde. O segundo se refere ao provimento emergencial de médicos, tanto brasileiros (formados dentro ou fora do país) quanto estrangeiros (intercambistas individuais ou mobilizados por meio dos acordos com a OPAS). O terceiro eixo é direcionado à ampliação de vagas nos cursos de medicina e nas residências médicas, com mudança nos currículos de formação para melhorar a qualidade da atenção à saúde.

Resultados

Há uma série de evidências científicas demonstrando o impacto do Mais Médicos na melhoria da saúde dos brasileiros. O estudo “More doctors for deprived populations in Brazil”, por exemplo, apontou que em mais de 1 mil municípios que aderiram ao programa houve um aumento na cobertura de atenção básica de 77,9% para 86,3%, entre 2012 e 2015, e uma queda nas internações por condições sensíveis à atenção primária (que são internações evitáveis), de 44,9% para 41,2% no mesmo período.

Outra pesquisa mostrou que o Mais Médicos contribuiu para reduzir as taxas de internação por condições sensíveis à atenção primária. Esses índices já vinham diminuindo no Brasil antes do programa: em 7,9% de 2009 a 2012. Mas a redução foi maior após a implantação do Mais Médicos: em 9,1% entre 2012 e 2015.

Essas e outras evidências estão disponíveis no aplicativo gratuito “Sistema Integrado de Informação Mais Médicos (SIMM)”, que está disponível para computador, tablet ou celular. A ferramenta pode ser baixada via celular ou tablet: basta buscar “SIMM Mais Médicos” ou “Sistema Integrado de Informação Mais Médicos” na Google Play (Android) ou na App Store (Apple). Os dados também podem ser acessados no site: https://simm.campusvirtualsp.org/pt-br.

Painel da ONU defende ‘mudanças sem precedentes’ para limitar aquecimento global a 1,5 °C

Posted: 08 Oct 2018 09:58 AM PDT

Solo ressecado próximo ao rio Nilo Branco, em Cartum, Sudão. Foto: Banco Mundial/Arne Hoel

Limitar o aquecimento global a 1,5 °C exigirá “mudanças de longo alcance e sem precedentes” no comportamento humano, segundo um painel científico das Nações Unidas, que lançou nesta segunda-feira (8) um relatório especial segundo o qual algumas das ações necessárias já estão em andamento, mas precisam ser dramaticamente ampliadas.

O IPCC, ou Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgou o relatório em Incheon, na Coreia do Sul, onde, na semana passada, centenas de cientistas e representantes governamentais analisaram milhares de informações para demostrar o que pode acontecer com o planeta e a população global diante do aquecimento global de 1,5 °C.

“Uma das principais mensagens enfatizadas fortemente neste relatório é que já estamos vendo as consequências do aquecimento global de 1°C, como eventos climáticos mais extremos, elevação do nível dos oceanos e degelo no Ártico, entre outras mudanças”, disse Panmao Zhai, copresidente de um dos grupos de trabalho do IPCC.

O Acordo de Paris para o clima, adotado em dezembro de 2015 por 195 nações na 21ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), incluiu o objetivo de fortalecer a resposta global à ameaça da mudança climática “segurando o aumento da temperatura média global para bem abaixo de 2 °C acima dos níveis pré-industriais, e buscando esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais”.

Em publicação no Twitter logo após o lançamento do relatório, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que não é impossível limitar o aquecimento global a 1,5 °C, de acordo com o documento. “Mas isso exigirá uma ação climática coletiva e sem precedentes em todas as áreas. Não há tempo a perder”.

Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), disse nesta segunda-feira (8) em Genebra que havia “extrema urgência” por parte dos signatários do Acordo de Paris, e que “até agora o progresso não tem sido bom o suficiente” para manter a elevação da temperatura abaixo de 2 °C.

“A mudança climática já é visível e está tendo um impacto sobre os seres humanos e ecossistemas em todo o mundo. Com aumento de 2°C teremos verão sem gelo na Antártida todo ano, mas com aumento de 1,5 °C veríamos isso apenas a cada 100 anos”, disse ele, dando um exemplo de como o clima do mundo muda drasticamente por um aumento de apenas meio grau.

“Haverá 420 milhões de pessoas sofrendo menos por causa da mudança climática se pudermos limitar o aquecimento a 1,5 °C, e temos certas áreas no mundo que são extremamente sensíveis”, disse Taalas. “Pequenos Estados insulares, a região do Mediterrâneo e também a África subsaariana já estão sofrendo e sofrerão mais no futuro”.

Ainda é possível limitar o aquecimento global a 1,5 °C, continuou o oficial da OMM, “mas devemos mudar muitas coisas, a forma como administramos nossos negócios diários hoje”.

Também em Genebra, um especialista em direitos humanos da ONU alertou que não fazer mais para lidar com a mudança climática pode provocar décadas de graves violações.

“A mudança climática está tendo — e terá — efeitos devastadores em uma ampla gama de direitos humanos, incluindo direitos a vida, saúde, alimentação, moradia e água, bem como o direito a um ambiente saudável”, disse David Boyd, relator especial da ONU para direitos humanos e meio ambiente.

“O mundo já está testemunhando os impactos da mudança climática — de furacões na América, ondas de calor na Europa, secas na África e enchentes na Ásia.”

Meio grau é importante

O relatório destaca vários impactos da mudança climática que poderiam ser evitados limitando o aquecimento global a 1,5 °C em comparação com 2 °C ou mais.

Por exemplo, até 2100, a elevação global do nível do mar seria 10 cm mais baixa com o aquecimento global de 1,5 °C em comparação com 2 °C.

Além disso, os recifes de corais, já ameaçados, cairiam 70-90% com o aquecimento global de 1,5 °C, enquanto praticamente todos seriam perdidos com aumento de 2 °C, segundo o relatório.

“Cada aquecimento extra, especialmente a partir de 1,5 °C ou mais, amplia o risco associado a mudanças duradouras ou irreversíveis, como a perda de alguns ecossistemas”, disse Hans-Otto Pörtner, copresidente do grupo de trabalho 2 do IPCC.

“Limitar o aquecimento a 1,5 °C é possível dentro das leis da química e da física, mas isso exigiria mudanças sem precedentes”, disse Jim Skea, copresidente do grupo de trabalho 3 do IPCC.

Com isso em mente, o relatório pede grandes mudanças no uso de terra e energia, na indústria, no setor de construção, de transporte e em todas as cidades em todos os lugares. As emissões líquidas globais de dióxido de carbono precisariam cair 45% em relação aos níveis de 2010 até 2030, e atingir o equilíbrio entre emissões e compensações por volta de 2050.

Permitir que a temperatura global aumente temporariamente acima de 1,5 °C significaria uma dependência maior das técnicas que removem CO2 do ar para retornar as temperaturas globais para abaixo de 1,5 °C até 2100.

Mas o relatório adverte que “a eficácia de tais técnicas não é comprovada em larga escala e algumas podem acarretar riscos significativos para o desenvolvimento sustentável”.

“Limitar o aquecimento global a 1,5 °C em comparação com 2 °C reduziria os impactos desafiadores nos ecossistemas, saúde humana e bem-estar, tornando mais fácil alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas”, disse Priyardarshi Shukla, copresidente do grupo de trabalho 3 do IPCC, referindo-se aos 17 objetivos adotados pelos Estados-membros da ONU há três anos para proteger o planeta e assegurar que todas as pessoas desfrutem de paz e prosperidade até 2030.

O novo relatório vai alimentar um processo chamado “Diálogo de Talanoa”, no qual as partes do Acordo de Paris para o clima vão avaliar o que foi realizado nos últimos três anos. O diálogo fará parte da próxima conferência da UNFCCC dos Estados-partes, conhecida como COP 24, que ocorrerá em Katowice, na Polônia, em dezembro.